O espectáculo ficou favorecido na Baía das Gatas com o remate de Grace Évora e Jorge Neto, depois das entradas triunfais do ‘velho’ Tubarões, do grupo Carnaval, Tó Semedo e Loony Johnson, imagine os gritos, a folia e saltos ‘até ao céu’.

O mítico grupo ‘Os Tubarões’, com efeito, cuja última aparição no Festival Internacional de Música da Baía das Gatas data da década de 80, regressou em grande estilo e, igual a si próprio, fez vibrar a baía com os clássicos que ficaram registados nos oito discos que a banda produziu nos seus 25 anos de carreira.

De “Somada” a “Bran d’imigração”, passando por “Pepe Lopi”, Vida di gosi”, “Tabanka Tchada Grande, “Cansera sem medida”, “Porton di nôs ilha” e “Tunuca”, entre muitos outros temas-sucesso, houve ainda espaço para uma incursão pelos ritmos da Antilhas, na hora e meia de concerto, com o tema “Anthiésse”, interpretado pelo tumbista Jorge Lima, uma novidade no alinhamento habitual do grupo.

Ou não fossem Os Tubarões a primeira banda cabo-verdiana a gravar um disco ao vivo, em 1992, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa (Portugal), CD em que figura o tema “Djonsinho Cabral”, com o qual se despediu do público da Baía das Gatas.

E, de repente, o areal da baía virou sambódromo, com mandigas e foliões trajados a rigor, no palco. A começar por Paulo Block e o seu grupo Tucim Bêdje, passando por Constantino Cardoso, Anísio e Vlu, a multidão, saída há pouco dias de um Carnaval de Verão, não mais colocou os pés no chão, de tanto saltar, saltar.

Com as letras das músicas na ponta da língua estabeleceu-se da primeira à última música a indispensável cumplicidade palco/público, com muitos pedidos de “bis” pelo meio.

Prova-se, mais uma vez, que baía é também palco do Carnaval, até porque os quatro artistas, em conjunto, actuaram ao longo de duas horas e meia.

Sem tempo para repor a energia gasta com a sacudidela provocada pelo Projecto Carnaval, o público da baía “levou”, logo de seguida, com dose dupla de Tó Semedo e de Loony Johnson, numa viajem de duas horas que meteu funaná, hip-hop mas, sobretudo, muita quizomba, do agrado da juventude que invadiu o areal.

Aliás, Tó Semedo e Loony Johnson estarão satisfeitos pois, com certeza, não é qualquer um que consegue ter um coro de milhares e milhares de pessoas, como sucedeu no festival, em que cada frase de cada música teve eco no público.

A fechar o palco do segundo dia, os carismáticos Jorge Neto e Grace Évora, “habitués” do festival, como uma selecção dos clássicos que enformou as respectivas carreiras, na designada nova música de Cabo Verde.

E foi com Jorge Neto ainda em palco que o dia substituiu a noite na Baía das Gatas, no término das actuações do 2º dia do festival, este ano sob o lema “Pela igualdade e diversidade cultural”, às 06H25.

 

Com Inforpress.